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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Hepatite B

Autoria: Equipe Biomedinar 


Prevalência:

A hepatite B é uma doença viral que afeta o fígado, sendo uma das infecções mais comuns globalmente. A prevalência varia por região, sendo mais alta em áreas onde a vacinação é menos difundida. A cronicidade ocorre quando a infecção persiste por mais de seis meses.

Como consequência da infecção crônica temos, cirrose hepática e câncer como o carcinoma hepatocelular.


Vias de Transmissão:

A transmissão ocorre principalmente por contato direto com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho durante o parto. O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados, como agulhas compartilhadas.


Características Clínicas:

Os sintomas variam, desde formas assintomáticas até quadros graves. Os sintomas típicos incluem fadiga, icterícia, náuseas e febre. A infecção crônica pode levar a complicações como cirrose hepática e câncer de fígado.


Diagnóstico:

O diagnóstico envolve testes laboratoriais para detectar antígenos e anticorpos específicos do vírus. Exames de função hepática e avaliação do DNA viral auxiliam na determinação da gravidade e da fase da infecção. (Vide abaixo mais detalhes sobre as técnicas laboratoriais)


Tratamento:

O tratamento visa controlar a replicação viral e prevenir complicações. Antivirais específicos, como a lamivudina e tenofovir, são frequentemente prescritos. Em casos graves, pode ser necessária terapia de suporte e, em alguns casos, transplante hepático.


Prevenção:

A vacinação é a principal medida preventiva. Recomenda-se a imunização desde o nascimento, com doses subsequentes. Além disso, práticas seguras, como uso de preservativos, e precauções em ambientes médicos para evitar a disseminação do vírus são cruciais.



Antígenos:


Antígeno de Superfície (HBsAg): Este é o principal marcador da infecção pelo vírus da hepatite B. A presença do HBsAg no sangue indica infecção aguda ou crônica. Testes positivos indicam exposição ao vírus. Aparece nas primeiras semanas após a infecção e persiste durante a fase aguda. Se persistir por mais de seis meses, indica cronicidade.



Antígeno "e" (HBeAg): O HBeAg está associado à replicação ativa do vírus. Sua presença no sangue indica alta infectividade e uma maior probabilidade de transmissão. Geralmente aparece simultaneamente ao HBsAg durante a fase aguda. Sua persistência indica replicação viral ativa.


Antígeno do Núcleo (HBcAg): Este antígeno não é detectável no sangue, mas os anticorpos contra ele (anti-HBc) são marcadores de infecção passada ou atual. A presença de anti-HBc pode indicar infecção resolvida ou crônica.


Anticorpos:


Anticorpos contra o Antígeno de Superfície (anti-HBs): A presença destes anticorpos indica imunidade à infecção pelo vírus da hepatite B. Geralmente, é detectado após a recuperação de uma infecção aguda ou após a vacinação. Indicam imunidade.


Anticorpos contra o Antígeno "e" (anti-HBe): A presença destes anticorpos muitas vezes indica uma fase menos ativa da infecção, com uma diminuição na replicação viral. Pode ser um sinal de melhora no prognóstico. Geralmente surge quando o HBeAg diminui. Indica uma fase menos ativa da infecção.


Anticorpos contra o Antígeno do Núcleo (anti-HBc): Existem duas classes de anti-HBc - IgM e IgG. IgM anti-HBc é associado a infecção aguda recente, enquanto IgG anti-HBc pode indicar infecção passada ou crônica. IgM anti-HBc aparece nas fases agudas, enquanto IgG anti-HBc pode persistir, indicando infecção passada ou crônica.


O diagnóstico da hepatite B envolve a detecção desses marcadores por meio de testes sorológicos específicos, ajudando a determinar o estágio da infecção e a resposta imunológica do paciente.


Métodos laboratoriais:


Ensaio Imunoenzimático (ELISA): Utilizado para detectar antígenos (HBsAg, HBeAg) e anticorpos (anti-HBs, anti-HBe, anti-HBc). Baseia-se na interação anticorpo-antígeno, com uma reação enzimática indicando a presença do marcador.


Teste de Imunofluorescência (IFA): Pode ser usado para detectar antígenos e anticorpos, utilizando fluorescência para visualização.


Reação em Cadeia da Polimerase (PCR): Detecta o material genético do vírus. Útil para confirmar a presença do vírus em estágios iniciais ou quando a carga viral é baixa.







Outros marcadores que podem estar alterados durante a infecção pelo HBV:


Enzimas Hepáticas (ALT e AST): Elevação das enzimas alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) indica lesão hepática, comum durante a fase aguda.


Bilirrubina: Aumento da bilirrubina total pode resultar em icterícia, um sintoma característico da hepatite B.


Fosfatase Alcalina e Gama-GT: Podem estar elevadas, indicando comprometimento hepático.


Albumina: Pode diminuir, refletindo a redução da síntese hepática de proteínas durante a fase aguda.


Tempo de Protrombina (TP) e Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA): Podem estar prolongados devido à redução da produção de fatores de coagulação pelo fígado.


É importante notar que as alterações podem variar conforme a fase da infecção, sendo mais pronunciadas durante a fase aguda. Além disso, a presença de doença crônica pode levar a complicações hepáticas mais graves, como cirrose e o câncer, afetando ainda mais os marcadores.



Referências:


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Hepatites Virais

Um breve resumo sobre Hepatites Virais


Autoria: Equipe Biomedinar


As hepatites virais constituem um conjunto de doenças hepáticas desencadeadas por diversos tipos de vírus. Apesar de termos outros vírus que afetem o fígado, o termo hepatite viral é praticamente atribuído às hepatites A, B, C, D e E, das quais iremos abordar nesse artigo.

Hepatite A (HAV): Transmitida via água ou alimentos contaminados, a HAV pode causar sintomas que variam de leves a graves, incluindo febre, fadiga e icterícia. A vacinação e a adoção de práticas higiênicas são estratégias eficazes para prevenção.

Testes Sorológicos: Detectam a presença de anticorpos IgM anti-HAV, indicando uma infecção recente.

Hepatite B (HBV): Transmitida por contato com sangue contaminado e relações sexuais desprotegidas, a HBV, frequentemente assintomática, pode levar a danos hepáticos sérios. A vacinação e práticas seguras são fundamentais para prevenção.

  • Antígenos e Anticorpos: Testes que identificam antígenos de superfície do vírus (HBsAg), anticorpos contra o antígeno central (Anti-HBc) e anticorpos contra o antígeno de superfície (Anti-HBs).
  • Detecção de DNA Viral: PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para identificar a presença do DNA viral, útil na detecção precoce e no acompanhamento do tratamento.

Hepatite C (HCV): Transmitida por contato direto com sangue contaminado, a HCV é comum em compartilhamento de agulhas. A infecção pode ser assintomática por longos períodos, resultando em complicações como cirrose e câncer de fígado. Não há vacina disponível, mas práticas seguras são cruciais na prevenção.

  • Testes de Anticorpos: Identificam a presença de anticorpos anti-HCV.
  • Detecção de RNA Viral: PCR para detectar o RNA do vírus, sendo essencial para confirmar a infecção ativa.

Hepatite D (HDV): Esta forma ocorre apenas em pessoas com hepatite B, dependendo desse vírus para se replicar. A transmissão segue padrões similares à hepatite B.

  • Detecção de Antígenos e Anticorpos: Testes que identificam antígenos e anticorpos específicos para o HDV.
  • PCR para RNA HDV: Identifica a presença do RNA viral.

Hepatite E (HEV): Geralmente transmitida por água ou alimentos contaminados, a HEV é mais comum em áreas com saneamento precário. Os sintomas assemelham-se à hepatite A, e a prevenção envolve boas práticas de saneamento.

  • Testes Sorológicos: Detectam anticorpos IgM anti-HEV para diagnosticar infecção recente.
  • Detecção de RNA Viral: PCR para identificar o RNA do vírus.

O diagnóstico precoce e tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves. A conscientização da população sobre a vacinação, práticas seguras e melhorias nas condições sanitárias são passos fundamentais para preservar a saúde hepática e reduzir a incidência dessas doenças.


Referências:

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